quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Meu pai, meu herói

Queridos sobrinhos, netos admiráveis de Antonio Sorrentino....escrevam sobre ele e me mandem para postar aqui...
Luciani

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Uma despedida

" Há na vida certas coisas que, por mais que pessoas enveredem por caminhos diferentes, jamais se esquecem. São fragmentos que não escolhem, nem hora e nem lugar para emergir, crescer e fazer com que a alma da gente retorne ao passado e viva intensamente velhos fatos, mostrando-nos que aquilo nos marcou. " 
                                    Vô Toninho

Casa Fechada

Casa fechada



- P
oxa! Você não para em casa. Ontem eu estive lá e sua casa estava fechada. Que negócio é esse sô...!

— Acho que você está enganado. Não tenho saído de casa nestes últimos dias. O negócio da casa fechada é tradição da nossa rua. Desde os tempos imemoriais da Velha Grécia, desde a Roma Antiga com os seus anfiteatros, desde a época da fundação de Itaperuna, que se joga futebol na Rua Santos Dumont. Acho mesmo que o próprio que lhe dá o nome, matou a menina no peito, botou no terreno, driblou por dentro e por fora, canhoneou para o gol, fazendo o dito da vitória pelo seu time. Por isto, em homenagem ao Pai da Aviação, e também artilheiro, a rua tem o seu nome.

— Daí, as casas fechadas; daí, ninguém na rua. Ou se fecha a casa, ou corre-se o risco dos pelotaços (bola ou palavrão) entrando pela janela e participando alegremente do convívio de sua família.

— É isso aí, bicho! É outro privilégio nosso, a moçada pratica o seu futebolzinho e nós, os coroas, temos com que fazer o nosso testezinho de Cooper. Põe-se um short, enxada e pá nas delicadas mãozinhas para dar uma mexidinha, no corpo e na lama que, por falta de bueiro, fica também querendo participar do convívio tépido e aconchegante de nosso lar.

— Viu porque fecha-se a casa. Fechamo-la não com o propósito definido de dizer-se que saiu, ou de não querer ver a cara de ninguém.

— Fecha-a para não levar na cara o que os outros enfiam o pé!

03/02/74

João do Zote

João do Zote



"S
e eu fosse era um carreiro eu botava esse muleque pra chamar os bois no meio do sapé e ainda dava uns coro nele”. Essa era a voz indecisa do Jão do Zote, pilheriando com o pessoal, na cozinha, sentado no rabo do fogão.

Mulatinho canela, filho de pai carreiro e de mãe lavadeira, tendo como único e exclusivo ideal a profissão do pai, vivia a rotar papo de comandar o carro de bois.

Jão do Zote tinha, por outro lado uma pequena frustração: era Baiano. Boi metido a touro, que vez por outra, colocava o Jão em situação delicada. Em vez do Jão ir buscá-lo, no mato, ele é que trazia o moleque de peito aberto e camisa esvoaçando, à sua frente.

Parece que o boi tinha loucura pelo Jão, pois sempre evitava maiores dificuldades, com as carreiras que dava no Jão para se aproximar da canga.

O carreiro, pai de Jão, morava distante e tinha que atravessar um riacho, que justamente nesses dias se encontrava em cheia. Cumpria ao Jão juntar os bois, para que quando seu pai chegasse, fosse tão somente necessário, atrelá-los e iniciar o serviço.

Jão, como de costume, juntou toda a boiada e partiu para buscar o Baiano. Este estava no lugar de costume, só não correu atrás do Jão. Jão gritava, fazia negaça, o Baiano estava quieto. Jão chegou mais perto, o Baiano nada. Colocou a mão no chifre do boi e este nem se importou.

O menino não sabia se ria ou se pulava de satisfação por ter dominado aquela fera que era o seu algoz de muitos anos.

Começou a gritar para que todo mundo viesse assistir a sua vitória.

No auge de sua euforia parou estupefato: dos olhos do boi rolavam lágrimas, sim eram lágrimas, ele não tinha a menor dúvida.

"Jão, cadê o boi?" perguntaram quando ele chegou. "Não pude trazê, ele tá chorando".

"Que correria é essa, Carmélia?"

 "Vim aqui falá que o Zote caiu da pinguela e morreu afogado."

Cacique

Cacique



H
á na vida certas coisas que, por mais que as pessoas enveredem por caminhos diferentes, jamais se esquecem. São fragmentos do passado que não escolhem, nem hora e nem lugar para emergir, crescer e fazer com que a alma da gente retorne ao passado e viva intensamente velhos fatos, mostrando-nos que aquilo nos marcou.

Fazia uma noite clara de outono. A lua espreguiçava-se nas areis mornas da estrada. Voltava eu, no viço dos meus quatorze anos, de um circo. De minha casa ao local do circo ia uma distância aproximada de nove quilômetros. Vinha só. Carregava ainda nos olhos a expressão alegre do palhaço e o sorriso convidativo e insinuante da garota que paquerava, quando o Cacique empacou.

A bem da verdade, a presença do palhaço e da garota como meus companheiros de viagem, era o escudo onde ocultava o meu medo.

Cacique, meu companheiro, confidente, em quem eu dava banho carinhosamente nas tardes de sábado, não podia fazer aquilo comigo. Não podia me expor àquele ridículo. Eu não podia voltar. Machucava meus brios. Feria meu orgulho. Frustava-me só em pensar.

Mas ele também tinha orgulho! Levantava a cabeça. Orelhas espetadas no ar. Abaixava-as. Farejava. Bufava. Sacudia. Ia. Voltava. Lutava consigo próprio. Olhos esbugalhados. Nervos tensos. Era a luta do irracional, da força bruta domesticada contra o Mistério.

Eu a tudo assistia. Creio pálido, mudo atônito, boquiaberto. Os minutos foram longas horas de agonia.

Ao longe um galo cantou. Fechei os olhos amargurando naquela hora toda a ironia que iriam sacar sobre mim.

Senti um resfolegar mais forte do animal. Vi que ele arrancava. Alguma coisa lanhava minhas pernas. O sangue corria.

Cacique parou docemente. Abri os olhos. O animal me olhava terno e meigo com seus olhos negros embaciados. Senti que ele me dizia: envergonhá-lo nunca!

E seguimos viagem.

VI/II/LXXVI


Poema para Marcela

Poema para Marcela


Pensei
escrever para Marcela
com minha pena
um poema
que falasse dela.
Mas o que dizer pra ela?
Que ela é bela?
Que eu gosto dela?
Ou que ela
traz junto com ela
toda alegria,
que eu tive um dia
com uma outra
que não é Marcela,
porém é bela,
pois é mãe dela.
No céu há estrelas
que busco vê-las
nas noites infindas,
nas noites lindas,
porém mais lindo
é viver sorrindo
é pensar nela,
na minha Marcela.
Para quem desejo
com toda alegria,
por hoje e sempre
e perenemente,
um belo dia!

novembro/1994


Saudade Chorando

Saudade chorando


Nasce o dia
Nasce o sol
Nasce o sonho
Nasce a esperança

Vêm os primeiros passos
Vem a caminhada
Vêm novos seres em nossos braços
Vem a vida emaranhada.

Vem a tarde
Vem o ontem
Vem o que se foi
A esperança que se quis
O amor que se desejou
Tudo e mais tudo vai ficando
E sobra a lembrança do que passou,
Como dói, pois por isto
Eis que a saudade está chorando.

... E Deus o levou

... E Deus o levou


Quando vejo Daniel, Pedro e Luiza
A minha emoção toda estremece
Ninguém sabe com quantas preces
À vida, o amor se eterniza

Quando ouço o tagarelar destas crianças
O enfado da vida se esvai
E me renasce a velha esperança
De ter sido feliz, por ter sido pai

Mas uma mágoa em mim permanece
Mesmo feliz ao ver tanto amor
Na peraltice que da infância transparece

Mas quem pode entender os desígnios do Senhor
Quem pode? Eis que a saudade se torna em grito
... E Deus levou João Vítor

21/09/90

Sem título

(sem título)


Os pares na minha vida
Foram sempre uma verdade.
Mas os pares não são mais pares
A vida não é mais vida.
Eis a dura realidade.
Ontem a infância e a ilusão.
Os sonhos, a juventude, a ingenuidade.
Ontem, eu e a solidão
Hoje, solidão, eu e a saudade.

27/07/85

Borboleta Amarela

Borboleta amarela


Vi uma borboleta amarela,
voando na minha janela.

Voava com muita graça
e vinha de encontro à vidraça.

Mas ela não esmorecia,
voltava e de novo batia.

E pondo-se enfurecida
bateu vezes repetidas
uma, duas, três, sei mais não
até que, desfalecida
em bater com sofreguidão,
desmoronou-se no chão.

Também eu bati na janela
na janela da minha vida
uma, duas, três, sei mais não
até que minha alma sofrida
despediu-se entristecida
deste mundo de ilusão.

Passarinho

Passarinho


Uma vez vi um passarinho
Que vinha dando pulinhos
Então exclamei: "Passarinho!
Você quer parar um pouquinho."

E fui até à janela
Para examiná-lo melhor
Mas ele, meio assustado,
Voou raspando o telhado
Deixando-me triste e só.

Este passarinho encantado
Que voa raspando o telhado
É a mocidade da gente
São os anos adorados
Dos tempos de namorado
Das alegrias do noivado
Que passam tão de repente.

Pensando em Você

Pensando em você


A nossa primavera já se foi,
e com ela se esfumaram
na distância e no tempo
os nossos sonhos de outrora.

O nosso outono já se vai,
e com ele um resto de lembranças
que enche nossos olhos de saudades,
nossos corações de angústia
e nossas almas de promessas de alegria.

O nosso inverno se aproxima,
e com ele o frio da velhice,
a mágoa do muito que queríamos
e do pouco que realizamos.

Abracemo-nos e choremos, minha querida,
mas que sejam lágrimas entrelaçadas
como sempre foi a nossa vida,
e que delas uma gota erradia
possa salpicar a inocência
que por certo...
irá aquecer os nossos corações

29/04/77

Tédio

Tédio


Um turbilhão de incertezas,
que faz da minha mente
um redemoinho, leva o meu corpo,
devagarinho, mas decadente,
para longínquas profundezas.

Odaliscas, pierrôs, colombinas;
manhãs de sol cristalinas;
aurora, primavera pueril;
sonho, fantasias de menino,
tudo claro, tudo azul, tudo anil.

Trabalho, suor, calos nas mãos;
sono pesado, coragem, decisões,
Filhos, esperança.

Rusgas, brigas, economia.
Trinta, quarenta, cinqüenta, ambição;
cabelos brancos, rugas, úlceras,
incertezas, tristeza, desilusão.

Folhas caídas, perdidas no chão.
Outono da vida,
corpo cansado,
voz já sumida,
olhos inchados,
corpo caído, vencido, frustado.
Soa a hora precisa.
Soa a hora igual.


Soa a hora final.
5/2/77

Frustração

Frustração


O homem vive
numa solidão agitada
onde o mundo
em disparada
faz da vida um
quase nada.

E na neurose que
flagela os seus passos
ele quer conquistar
o espaço
para unir os
pedaços
de ontem, hoje e amanhã.

E voa rumo ao
infinito
onde o eco
do seu grito
se perde na
imensidão

E curvado
pelos anos
cheio de
desenganos
se volta outra vez
para o chão.





dez/76

Aperibé

Aperibé


Aperibé vila-poema
Onde cantam as seriemas
À borda dos matagais
Aperibé terra generosa
De homens de mãos calosas
Dos rudes trabalhos braçais

Aperibé vila-menina
Das águas cristalinas
Do arroz, do feijão e do milho
Terra que se agiganta
Aperibé que se levanta
Com o esforço de seus filhos

Aperibé vila-cidade
Onde se vê a amizade
Em cada coração
Terra de gente nobre
Onde o pobre é menos pobre
Porque é rico o seu chão

Aperibé, princesinha do norte
Ouça este brado forte
Do nosso peito juvenil
Lutaremos como gigantes
Sem esmorecer um instante
Pois a vontade que nos consome
É de escrever o seu nome
Na história do Brasil

07/65

Sem título

(sem título)


Não se desespere, amigo
Amigo, não se lastime
A dor da incerteza
A mágoa, a tristeza
Chore, amigo
que a lágrima redime

Poema de Natal

Poema de Natal


Se toda a exuberância de um girassol lhe ofusca,
mire uma margarida.
Se os frutos de uma jaqueira lhe fogem ao alcance,
procure pelas amoras do campo.
Se o horizonte lhe é infinito,
escale a montanha.
Se no seu Natal não tem neve,
brinque na grama.
Se Papai Noel lhe foge à imaginação,
pense no seu filho.
Se tudo lhe é triste,
lembre que é Natal.

Sem título

(sem título)


Se eu soubesse a desventura de teu amor
Se eu soubesse a amargura deste amor
Não teria amado com o calor que amei
Para depois não ter chorado com a dor que chorei

Venha querida para me fazer feliz
Venha querida, venha, para quem sempre te quis

Volte para os braços meus
Volta querida, volta,
Por favor não me digas adeus.

Solidão

Solidão


Sofro tanto
e não esqueço
tenho ânsias, alucinação
Ai meu Deus
como padeço
nesta triste solidão

Os dias
são enfadonhos
As noites
são um tormento
E ela me vem em sonho
Perturbar meu pensamento

Se eu grito
ela responde: aonde! aonde!
Deixa viver em paz
este pobre coração
Deixa eu findar
meus dias
nesta triste
solidão.

A vida

A vida


A vida é um fio, nada além
Que balança ao sabor ao vento.
O que nos resta fazer porém
É saboreá-la a todo momento

Quando rimos estamos vivendo
Estamos vivendo quando choramos
Vivemos ainda quando sofrendo
Estamos vivendo quando amamos

Não  há viver sem amor
Não  há viver sem sofrer
Não  há viver sem dor

Viver é o jogo da sorte.
Nele vamos perder
Na hora que chega a morte.

Goiabal, 12/1/59


Cumprimentando alguém

Cumprimentando alguém


Na primavera passada eu a conheci
Outra primavera. Um ano exatamente
Para cumprimentá-la eu escrevi
Este soneto, medíocre e destoante.

Adianto entretanto, sem medo de errar
Que o que goza a fortuna de lhe conhecer
Sente-se vaidoso de se encontrar
No rol de seus amigos, que tão bem sabe escolher

Você fez de mim, amigo sincero,
Leal amigo seu, desejo ser,
Por isso cumprimentá-la agora eu quero

Uma rosa cultivo e espero
O dia, para lhe oferecer
Uma pétala, fruto da amizade sincera

19/outubro/52

Sozinho

Sozinho


Já fui moço, já fui alegre
Possuí tudo que desejava
Pouco guardei, pois muito breve
Despertei, do sonho que me embalava

Hoje meu caminho vou seguindo,
Aqui vejo flores, lá encontro espinhos
As ilusões, uma a uma vão sumindo
Sem ter o consolo de nenhum carinho

É primavera, é desabrochar de flores
Jardins floridos, louca alegria
De pássaros e borboletas multicores

Na vida minha só dissabores
Sem lamentar-me sofro a nostalgia
De uma vida só e sem amores

Goiabal 11/9/52


19/10/51

19/10/51



19/10 de cinqüenta e um!!!
Data que no calendário grifei
Dia para mim que não foi comum
Foi uma ventura que não mais terei

Conheci-a num baile de roça. Você trajava
Sweater e sainha muito elegante
Ao som da sanfona rindo dançava
Com um rapaz alto, seu par constante

Depois nos olhamos e com você dancei
Você não queria, mas eu insisti
Convencendo-a, enfim a namorei

Passou-se um ano, eu não notei
Outro 19/10, mas eu a perdi
em 22/5/52 por que, não sei!!!

28/8/52

Adolescência

Adolescência


A certeza cruel que me devora
De não ser o que sonhei um dia...
Tortura-me a alma, o espírito chora
Lágrimas de dor e de agonia

Era demais o que havia sonhado
Nos meus sonhos de moço adolescente...
Pensei em amar, em ser amado
pensei, mas o mundo é diferente

Fui vil e torpemente enganado
E como eu, muitos e muitos o são
Na vida, há sempre um céu iluminado.

Que paulatinamente vai ficando para o passado
Como sonho de uma noite de verão
Cujo lugar é no peito entesourado.

27/3/52

Sonhando

Sonhando


Erguido em sonhos, em sonhos desfeito
Meu nobre castelo, hoje desmoronado
É um mau arquiteto que tenho no peito
De toda ruína é ele o culpado

Um jardim em flor, um muro e a grade
Deixava ver somente a parede cor-de-rosa
De meu castelo que só existe na saudade
Saudade que junge, que é má e impiedosa

Já não tenho esperança de reedificá-lo
Tudo é cinzas, as flores murcharam
Não tive lágrimas para molhá-las

Foram duas mortes, não pude chorá-las
Como poderia se as lágrimas secaram
É minha sorte, não posso malsiná-la.

20 de julho de 52

Evocação

Evocação


Estivesse eu no pedestal da vitória
Menor seria a emoção sentida
Do que a daquele dia em que tive a glória
De conhecer você minha querida

Depois com os meus olhos nos seus
Os dedos entrelaçados eu não pensava
Que lá das alturas um santo Deus
Outro destino para mim traçava

Sua linda face eu acariciei
Seus rebeldes cabelos eu os ajeitava
Fazia com carinho porque sempre te amei

Agora, não tenho você. Vejo que errei
Porque lhe amo muito mais do que pensava
E amando-a a vida inteira seguirei.

26 de Julho de 52

Tu e Eu

Tu e Eu


Tu que és moça e bonita,
Não se apegues a mim
Tu és um laço de fita
E eu um nó de capim
Tu que és tão venturosa
Com tuas belas covinhas
No jardim tu és a rosa
E eu a erva daninha
És a borboleta que pousa
Nas flores do meu caminho
És as pétalas das rosas
E delas eu sou o espinho

És a andorinha bailarina
Que no espaço rodopia
És a água cristalina
E eu a calmaria
És da natureza o painel
Caprichoso é teu destino
Tu és a Dalca Rangel
E eu o Antonio Sorrentino.

19/3/52

Assim me fala o coração

Assim me fala o coração


Minhas esperanças foram baldadas
De um dia fazer-te minha
Tudo quimeras, coisas infundadas
Tu não quiseste ser minha rainha

Como trono dar-te-ia meu coração
Um castelo terias em nosso lar
Teu reinado teria a duração
De uma vida, sempre a brilhar

Desprezaste tudo, por que razão?
Saiba que em teu trono ninguém sentará
Ficará vago e sempre com a ilusão.

De que voltarás a estender-me a mão
E teu sorriso virá me iluminar
Assim me fala o coração

Goiabal, XII/II/LII

Sei

Sei


Sei que você não existe para mim.
Sei que dará a outro sua vida
Sei que nosso romance chegou ao fim
Sei que não a possuirei minha querida

Sei também que já sou do passado
Sei que a você, o passado não importa.
Sei que meu destino é: amar sem ser amado
Sei que já não vivo, sou folha morta

Sei que você é bela, sim muito bonita
Sei agora quanto é mal perdê-la
Sei que sempre foi e será minha favorita

Sei entretanto que de tudo sou culpado
Sei que não possuo o direito de vê-la
Sei enfim que, em amor sou um fracassado

16/2/52