Casa fechada
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oxa! Você não para em casa. Ontem eu estive lá e sua casa estava fechada. Que negócio é esse sô...!
— Acho que você está enganado. Não tenho saído de casa nestes últimos dias. O negócio da casa fechada é tradição da nossa rua. Desde os tempos imemoriais da Velha Grécia, desde a Roma Antiga com os seus anfiteatros, desde a época da fundação de Itaperuna, que se joga futebol na Rua Santos Dumont. Acho mesmo que o próprio que lhe dá o nome, matou a menina no peito, botou no terreno, driblou por dentro e por fora, canhoneou para o gol, fazendo o dito da vitória pelo seu time. Por isto, em homenagem ao Pai da Aviação, e também artilheiro, a rua tem o seu nome.
— Daí, as casas fechadas; daí, ninguém na rua. Ou se fecha a casa, ou corre-se o risco dos pelotaços (bola ou palavrão) entrando pela janela e participando alegremente do convívio de sua família.
— É isso aí, bicho! É outro privilégio nosso, a moçada pratica o seu futebolzinho e nós, os coroas, temos com que fazer o nosso testezinho de Cooper. Põe-se um short, enxada e pá nas delicadas mãozinhas para dar uma mexidinha, no corpo e na lama que, por falta de bueiro, fica também querendo participar do convívio tépido e aconchegante de nosso lar.
— Viu porque fecha-se a casa. Fechamo-la não com o propósito definido de dizer-se que saiu, ou de não querer ver a cara de ninguém.
— Fecha-a para não levar na cara o que os outros enfiam o pé!
03/02/74
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